Economia

Governo quer estancar importação “desregrada” de cerâmica

O Governo vai avaliar medidas destinadas a estancar a importação “desregrada” de produtos de cerâmica, como azulejos e tijoleiras, visando defender a produção nacional.

A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Comércio, António Grispos, no final de uma reunião com representantes da Safira Mozambique Ceramic, uma fábrica de tijoleiras e azulejos situada no distrito de Moamba, província de Maputo.
O secretário de Estado do Comércio afirmou que a Safira encerrou uma linha de produção de produtos de cerâmica “devido à concorrência feroz imposta pelas importações desregradas”.
Segundo Grispos, a situação levou ao desemprego de 700 trabalhadores e à perda de tantos outros postos de trabalho indirectos.
“Esta visita hoje à Safira é feita na qualidade de presidente da Comissão Consultiva de Importações, para avaliar o impacto que a Safira esta a enfrentar com a importação desmesurada e desregrada de produtos de cerâmica. Realçar que eles têm uma linha de produção fechada, neste momento, muitos milhões de metros quadrados que deixaram de ser produzidos”, afirmou.
Refereriu que a Comissão Consultiva de Importações vai propor ao Governo medidas para reverter a situação, avançou.
“São factores diversos que têm estado a pôr em causa a sobrevivência de famílias, foi feito aqui investimento e temos que olhar para isto”, enfatizou António Grispos.
Sobre o tipo de medidas que serão propostas ao Governo, para proteger a indústria moçambicana de cerâmica, o secretário de Estado do Comércio não entrou em detalhes, mas adiantou que serão em linha com a política de restrições de importações de produtos que podem ser produzidos localmente.
“Moçambique adoptou já as medidas para restrições temporárias de importações para proteger a produção que existe localmente. São medidas para impulsionar a produção local”, destacou o secretário de Estado do Comércio.
Há uma série de medidas que o Governo pode tomar em conta. […] pode ser através da subida da sobretaxa nas importações, de 7,5% para 20%, admitiu António Grispos.
Grispos sublinhou que a protecção da indústria local também visa impedir que Moçambique importe produtos que podem ser gerados localmente.
Criticou o facto de os moçambicanos terem de comprar no estrangeiro bens como “palitos de dentes ou água”, enquanto é possível produzir localmente.
Sobre o processo de criação da Zona Económica Especial em Moamba, na zona onde está instalada a Safira Mozambique Ceramic, António Grispos frisou que os passos subsequentes para essa transição dependem de outras entidades do Estado.
A Safira Mozambique Ceramic é detida pelo grupo chinês Wang Kang Safira e entrou em funcionamento em Setembro de 2024, tendo sido investidos 124 milhões de dólares para a operacionalização do empreendimento, um dos maiores de África no sector.
A fábrica foi projectada com capacidade de produção diária de 100 mil metros quadros de cerâmica.

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