A guerra no Irão completa seis meses com a economia como o principal campo de batalha. Dentro do Irão, o conflito tem sido acompanhado por uma intensificação da repressão. A ONG Iran Human Rights avança que pelo menos 511 pessoas foram executadas no país desde o início de 2026. Entre as vítimas, 29 teriam ligação com os protestos antigovernamentais de janeiro. A organização contabilizou ainda 16 mulheres e 13 pessoas classificadas como presos políticos entre os executados.
Outro dos principais impactos internacionais da guerra registou-se no estreito de Ormuz, travessia marítima localizada entre o Irão e Omã por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A redução do tráfego fez subir os preços do crude, aumentou os custos de transporte e seguros, e gerou preocupações sobre uma possível crise económica global. O impacto sobre a economia mundial, contudo, ficou abaixo de alguns dos cenários mais pessimistas previstos no início da guerra. O Fundo Monetário Internacional reduziu duas vezes a sua projecção de crescimento desde janeiro e estima agora uma expansão global de 3% em 2026, contra 3,1% na previsão anterior.
Sem conseguir forçar a rendição iraniana após meses de ataques, Washington passou a apostar com maior firmeza na pressão económica. O governo Trump ameaça punir países e empresas que mantenham relações financeiras com Teerão, enquanto o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apelou a que os governos reduzam os seus vínculos com a República Islâmica.
Trump afirma que EUA não estão a negociar com o Irão
Trump afirmou esta quinta-feira, que os Estados Unidos não estão actualmente a negociar com o Irão. A Casa Branca, no entanto, reitera que mantém todas as opções em cima da mesa. A estratégia anunciada neste momento passa por intensificar a pressão económica até que Teerão aceite negociar de forma considerada significativa.
Antes da actual fase de pressão económica, os dois países chegaram a anunciar um acordo provisório em junho, numa tentativa de cessar os combates. A trégua, contudo, não se sustentou e o conflito voltou a escalar, travando novamente os avanços para uma solução diplomática.
Neste momento, outros países, como o Qatar, tentam abrir espaço para a diplomacia. O primeiro-ministro qatariano visitou Teerão esta quinta-feira e discutiu com as autoridades iranianas uma proposta para a criação de um corredor marítimo temporário no estreito de Ormuz. A iniciativa prevê facilitar a circulação de embarcações e realizar operações de desminagem na região.
O programa nuclear iraniano continua a ser outro ponto de incerteza. Os ataques norte-americanos e israelitas atingiram três das principais instalações conhecidas de enriquecimento de urânio do país, bem como infra-estruturas ligadas a actividades nucleares.
Em maio, avaliações dos serviços de informação norte-americanos indicavam que o tempo necessário para o Irão produzir material físsil suficiente para uma arma nuclear permanece de até um ano. Ainda assim, não é possível determinar com exactidão o que resta do programa. Os inspectores da Agência Internacional de Energia Atómica não retomaram plenamente o acesso às instalações, que albergariam uma reserva de aproximadamente 440 quilos de urânio enriquecido a 60%.
Os Estados Unidos enfrentam igualmente custos militares elevados. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso registou a perda de 42 aeronaves norte-americanas durante o conflito, entre ataques e acidentes. Segundo a agência Reuters, o consumo de determinados mísseis de precisão reduziu significativamente as reservas disponíveis.
As reservas de sistemas defensivos sofreram uma pressão idêntica. As estimativas indicam que cerca de 65% dos interceptores Patriot haviam sido utilizados até Julho, enquanto o stock de interceptadores THAAD baixou pelo menos 38%.
Para sustentar a operação, Washington mobilizou caças e navios de guerra (incluindo o USS Abraham Lincoln) para o Médio Oriente. O prolongamento da missão aumentou o desgaste das forças norte-americanas e gerou preocupações sobre a capacidade de resposta dos EUA perante eventuais crises noutras regiões do globo.
R7.com
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